Como configurar SPF corretamente (e o erro que ninguém vê)
O passo a passo para publicar o SPF do seu domínio, o limite de 10 consultas DNS que derruba a verificação em silêncio e os erros que aparecem toda semana.
O SPF é um registro de texto publicado no DNS do seu domínio dizendo quais servidores podem enviar e-mail em nome dele. Quando uma mensagem chega ao destinatário, o servidor dele consulta esse registro, compara com o endereço IP de quem está entregando e decide se aquilo faz sentido.
Publicar é rápido. O que dá errado com frequência é o que vem depois: um serviço novo que ninguém incluiu, dois registros no mesmo domínio, ou o limite de consultas DNS estourado em silêncio.
Antes de escrever o registro: levante quem envia
Este é o passo que economiza retrabalho. Liste tudo o que envia e-mail usando o seu domínio no remetente — e a lista quase sempre é maior do que a memória sugere:
- o servidor de e-mail da empresa (Microsoft 365, Google Workspace, Zimbra, cPanel);
- o sistema de gestão que dispara nota fiscal, boleto e cobrança;
- o formulário de contato do site;
- a ferramenta de e-mail marketing, se houver;
- o sistema de RH, o de chamados, o de assinatura eletrônica;
- qualquer serviço contratado por outro setor que você talvez não conheça.
Se você já publicou DMARC com p=none e um endereço em rua, os relatórios
diários mostram exatamente essa lista — inclusive o que ninguém lembrava. É por isso que a ordem
recomendada é DMARC em modo observação primeiro, ajuste do SPF depois.
A anatomia do registro
Um SPF simples, para quem usa só o Google Workspace:
v=spf1 include:_spf.google.com ~all
Lendo em português: “versão 1 do SPF; autorize o que o Google autorizar; para o resto, aceite marcando como suspeito”.
| Termo | O que faz | Custa consulta DNS? |
|---|---|---|
v=spf1 | Obrigatório, sempre primeiro | não |
ip4:200.1.2.3 | Autoriza um IPv4 ou uma faixa | não |
ip6:2001:db8::/32 | Autoriza um IPv6 ou uma faixa | não |
include:dominio | Incorpora o SPF de um serviço | sim |
a | Autoriza os IPs do registro A do domínio | sim |
mx | Autoriza os IPs dos servidores MX | sim |
-all / ~all | O que fazer com o resto | não |
O qualificador do final
O all é o que fecha o registro e define a política para quem não casou com nenhuma regra:
-all(fail) — recuse. É o objetivo final.~all(softfail) — aceite, mas marque como suspeito. É onde começar.?all(neutral) — sem opinião. Na prática, o SPF deixa de proteger.+all— autoriza o mundo inteiro. Nunca use: anula completamente o SPF.
Comece com ~all, acompanhe por algumas semanas, e mude para -all quando
tiver certeza de que todos os seus remetentes legítimos estão cobertos.
O limite de 10 consultas — o erro que ninguém vê
Este é o problema mais comum e o mais silencioso. A RFC 7208 determina que a avaliação de um SPF
não pode custar mais de 10 consultas DNS. Passando disso, o resultado é
permerror — e boa parte dos provedores trata isso como falha.
O detalhe cruel é que a contagem é em cascata. Um include: que por
sua vez tem três include: dentro dele consome quatro consultas, não uma. Um registro
com cinco serviços pode facilmente passar de dez sem que nada pareça errado ao olhar o texto.
O validador de SPF deste site segue toda a cadeia e mostra o número real. Se você estiver acima do limite, na ordem:
- Remova o que não usa mais. Costuma ser a maior parte do excesso — serviços contratados no passado que ficaram no registro.
- Troque include por ip4 nos serviços que têm IP fixo e publicado.
- Pergunte ao provedor se ele tem um include mais enxuto. Alguns oferecem.
- Considere um subdomínio para envio em massa (
news.empresa.com.br), com SPF próprio. Assim o domínio principal fica leve.
Erros que aparecem toda semana
Dois registros SPF no mesmo domínio
A RFC permite apenas um. Com dois, o resultado é permerror e a verificação falha para
todos os seus envios, mesmo que cada registro esteja correto sozinho. Acontece quando
alguém adiciona um novo em vez de editar o existente. A correção é juntar tudo em um só:
❌ v=spf1 include:_spf.google.com ~all
❌ v=spf1 include:servidor.com.br ~all
✅ v=spf1 include:_spf.google.com include:servidor.com.br ~all
Publicar no subdomínio errado
O SPF do domínio vai no próprio domínio, com o nome @ ou vazio, dependendo do painel —
nunca em spf.empresa.com.br.
Achar que o SPF cobre o que aparece para o usuário
O SPF valida o endereço do envelope, não o campo “De” que o destinatário vê. É possível passar em SPF e ainda assim exibir outro remetente. Quem amarra as duas coisas é o DMARC, por meio do alinhamento.
Por que o SPF sozinho não basta
O SPF quebra em qualquer encaminhamento. Quando alguém redireciona automaticamente a sua mensagem para outro endereço, quem entrega passa a ser o servidor de quem encaminhou — que não está no seu SPF. A mensagem é legítima e mesmo assim falha.
Não é defeito de configuração, é uma limitação do próprio mecanismo. A solução é publicar também DKIM, cuja assinatura viaja junto com a mensagem e sobrevive ao encaminhamento, e depois DMARC para amarrar os dois.
Conferindo
Alterações de DNS levam o tempo do TTL antigo para se propagar. Depois disso, rode o
validador de SPF e confira três coisas: existe apenas um
registro, a contagem de consultas está abaixo de dez, e o final é ~all ou
-all.
Para ver SPF, DKIM, DMARC, MX e reputação de uma vez, use o diagnóstico completo.
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